Carta 1239 publicada a 21 julho 2025
A PRESSÃO PARA A ORDENAÇÃO DAS MULHERES
200ª SEMANA: OS SENTINELAS CONTINUAM AS SUAS ORAÇÕES
PELA DEFESA DA MISSA TRADICIONAL
DIANTE DA ARQUIDIOCESE DE PARIS
Na semana passada, mencionei a grande preocupação suscitada pelo declínio constante das ordenações sacerdotais, pelo menos no Ocidente.
E para as comunidades paroquiais que sofrem cada vez mais com a escassez de sacerdotes, tem-se vindo a propor as falsas soluções de ordenar homens casados (pensando-se normalmente em dar o acesso ao sacerdócio a diáconos casados, homens que frequentemente exercem uma profissão, ou a homens reformados) e ordenar mulheres (por exemplo, freiras ou mulheres que já têm incumbências nas paróquias). Esta reivindicação, embora tenha poucas hipóteses de sucesso a curto e médio prazo, excepto talvez numa primeira etapa que seria o diaconado feminino, está a ser promovida por um movimento que abraça e defende a secularização da Igreja.
Quem o desejar, pode ainda assistir a um documentário de tom muito militante transmitido em Arte a 12 de abril e que continua disponível em Arte.tv até 9 de agosto. Este documentário defende o acesso das mulheres ao sacerdócio na Igreja Católica e denuncia a recusa e o silêncio da instituição sobre o assunto. É desconcertante ver mulheres "sacerdotisas" e até "bispas" de um grupo de lobby de língua alemã que foram "ordenadas" a 29 de Junho de 2002 por um bispo católico excomungado, e estas mulheres continuam a celebrar e a ordenar outras mulheres.
Isto pode parecer marginal e quase folclórico. Não é de todo: sob a forma de uma transgressão deliberada e aceite, faz-se eco de uma reivindicação muito mais difusa, que se tornou o símbolo de uma tendência "avançada" no catolicismo, uma tendência hoje muito consolidada. Recorde-se que o Bispo Georg Bätzing, de Limburgo, presidente da Conferência Episcopal Alemã desde 2020 e um dos membros activos do Caminho Sinodal Alemão, solicitou, em entrevista ao Kölner Stadt-Anzeiger, no dia 2 de junho, que se considerasse a admissão das mulheres aos ministérios ordenados, primeiro ao diaconado e depois ao sacerdócio. Segundo ele, é o futuro da Igreja Católica que está em causa. "Gostaria que isso acontecesse e farei todo o possível para que assim seja."
Apesar das firmes rejeições do Papa Francisco e do Secretário de Estado Parolin, a ideia continua a ganhar força. Assim, a Diocese de St. Gallen, numa região muito progressista da Suíça, elegeu recentemente um bispo em eleição levada a cabo pelo capítulo, que ainda detém o direito de nomear o bispo nesta diocese, Monsenhor Beat Grögli, de 54 anos, conhecido pelo seu apoio ao sacerdócio feminino, eleição confirmada pelo Papa Leão XIV a 22 de maio. Foi enviado um questionário aos sacerdotes e fiéis da diocese, cujas respostas demonstraram um apoio esmagador a esta reivindicação. Além disso, o questionário permitiu ao cabido da catedral conhecer dos sacerdotes em quem se podia votar. Beat Grögli, que foi reitor da Catedral de St. Gallen, respondeu que "o ministério ordenado já não pode ser domínio exclusivo dos homens". E era já conhecido por autorizar as mulheres a proclamar o Evangelho e a fazer a homilia, uma prática hoje muito difusa na Suíça. E Beat Grögli tem a reputação de ser um sacerdote "clássico", pois ainda confessa os fiéis e faz as devidas genuflexões nos momentos prescritos durante a Eucaristia, algo cada vez mais raro na Suíça.
Na conferência de imprensa após a sua eleição, Mons. Grögli abordou esta questão, apresentando-a não como uma reforma a implementar de imediato, mas como um objectivo a atingir: "Não é aceitável organizar a Igreja como uma instituição reservada aos homens". Por isso, "o sacerdócio feminino mais cedo ou mais tarde acabará por chegar. [...] Devemos continuar o caminho".
Esta reivindicação feminista é tipicamente um desejo de adaptação ao espírito dos tempos. Quando os homens do Concílio procuraram "ler os sinais dos tempos" e os reformadores da liturgia procuraram adaptá-la ao "espírito dos homens deste tempo", abriram uma caixa de Pandora que continuaria a espalhar os seus efeitos secularizantes por todo o culto divino. A demolição do rito imemorial que nos tinha sido legado pelos livros editados pelos Papas Tridentinos abriu todos os diques. Quando Paulo VI declarou, na sua resposta ao Arcebispo de Cantuária, em 30 de Novembro de 1975, que “a prática constante da Igreja, que imitou Cristo ao eleger apenas homens, e o seu Magistério vivo, que consistentemente sustentou, que a exclusão das mulheres do sacerdócio está de acordo com o plano de Deus para a Igreja”, e João Paulo II, em Ordinatio sacerdotalis de 22 de Maio de 1994, que “a Igreja não tem qualquer poder para conferir a ordenação sacerdotal às mulheres”, podiam apoiar-se sobre a sólida rocha da antiga lex orandi, que traz apenas homens ao altar como sacerdotes e ministros, enquanto a nova liturgia introduz leigos como tais, tanto homens como mulheres, para as leituras, a distribuição da Comunhão e o serviço do altar.
Caros amigos das Vigílias, lembremo-nos de que estamos a defender um tesouro litúrgico que contém em si um depósito doutrinal inalienável. As nossas modestas mas tenazes vigílias simbolizam a contínua fidelidade do instinto da fé que resistiu aos demolicionistas durante 60 anos. Que este pensamento vos sirva de conforto nos terços que rezam em frente à sede da arquidiocese, na rue du Cloître-Notre-Dame, 10, de segunda a sexta-feira, das 13h00 às 13h30.
Ecos das Vigílias: Duas jovens perguntam-nos o que estamos a fazer. Explicamos a nossa perspectiva sobre a liberdade da Missa Tradicional na Igreja. Contam-nos então que fizeram a peregrinação de Chartres pela primeira vez este ano com alguns amigos "tradicionais" e que ficaram impressionadas com a beleza da liturgia, mas sobretudo com o rigor e a coerência dos ensinamentos. Depois, despediram-se dizendo que rezariam por nós.



